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Ervas

ervas-cha-emagrecer

As Ervas possuem um poder curativo e auxilar muito grande e que são

utilizados desde os primordios da humanidade.

Importante ressaltar que, durante os banhos de ervas, o mesmo deverá

ser feito sempre da seguinte maneira :

1. Observar que a maioria dos banhos de ervas são sempre do pescoço para

baixo, nunca acima da cabeça, a não ser que tenha a recomendação do dirigente,

pois ele será a melhor pessoa para indicar e instruir sobre os banhos;

2. O banho de ervas é um ritual e sendo assim, deve ter o respeito e energia

voltada para as seguintes funções : Restabelecer a Energia, descarregar energias

negativas, preparar para o trabalho espiritual, limpeza do corpo energético

do Médium, etc;

3. Após o banho rotineiro de higiêne pessoal, fazer uso do Banho de Ervas

seguindo o princípio de fazer com que, durante esse banho seja sempre

entoado um ponto, de acordo com a intenção do banho ( exemplo : se for para

um determinado Orixá, entoar um ponto do mesmo ), ou simplesmente uma

prece de coração, elevando os pensamentos positivos para que não somente

o Corpo Físico, mas principalmente o Corpo Espiritual, possa captar os fluídos

energéticos daquele banho.

É importante que haja a vibração positiva, para que se tenha os resultados de

acordo com o Banho que está sendo tomado.

4. Também recomenda-se a vibração aos outros tipos de banhos como o de

cachoeira, o de mar etc, pois dessa forma reverenciamos aos Órixas

( Povo das Águas, da Floresta, etc ), trazendo a sua força e energia para

próximo de nós;

5. Os Banhos de Ervas, devem ser preparados também com o nosso corpo

mental voltado para a sua eficácia, sempre macerar as folhas entoando cânticos

daqueles que irão nos auxiliar ( exemplo : ao macerar uma folha de colônia,

elevar os pensamentos e cânticos para Oxalá );

6. Nunca se deve “cozinhar” as Ervas, e sim jogá-las na água fervente, desligando

o fogo e abafando por alguns minutos, ou simplesmente, macerar ai o banho

deverá ser com água fria

7. Também é essencial que cada um prepare o seu Banho, pois alí está sendo

depositado toda a sua vontade, desejo e intenção da força dos Orixás para

que os mesmos possam atendê-lo de acordo com o seu merecimento.

Sendo os Banhos de Ervas um item fundamental na vida de um Filho de Fé,

ainda recomendamos que os banhos sejam sempre uma rotina na vida daquele,

pois como podemos nos manter em eqüilíbrio se não fazemos em nossas vidas

as práticas recomendadas pela nossa querida Umbanda ?

Da mesma foram. recomendamos que ao ato de acender um Inceso ou uma Vela,

que esse ato não seja simplesmente de riscar um fósforo e assim acender

o incenso ou a vela. Tenha sempre em mente que nesse ato, estão os elementos

básicos ( a chama, o odor e a fumaça do incenso ou da vela ) que ajudarão na

energização do ambiente em que estamos, trazendo junto de nós aqueles que

queremos o merecimento da energia e proteção.

Abaixo estão relacionadas algumas das ervas mais conhecidas e usadas na

Umbanda para banhos e outras finalidades:

* Oxalá – Boldo; Alecrim da Horta; Levante; Alfavaca de Cheiro; Alfazema;

Girassol; Aniz Doce; Musgo; Baunilha Verdadeira; Colônia; Cravo-da-Índia;

Eucalipto Cedro; Eucalipto Murta; Manjericão e Hortelã.

* Xangô – Hortelã; Quebra-Pedra; Ubauba Marrom; Manjericão; Manjericão Roxo;

Comigo-Ninguém-Pode ( Macho ); Folha de Coqueiro; Guiné Caboclo;

Folha de Açoita Cavalo; Jatobá ( Casca ou Fruta ); Boldo; Eucalipto; Musgo da Pedreira;

Cipó Mil Homens Espada de São Jorge; Espada de Santa Bárbara, entre outras.

* Ogum – Espada de São Jorge; Lança de São Jorge; Limão Bravo; Losna; Aroeira;

Hortelã; Manjericão; Eucalipto Cidra; Groselha, Jabuticabeira; Jambo Amarelo,

entre outras.

* Obaluaiê (Omulu) – Figueira; Barba de Velho; Assa-Peixe; Alfavaca Roxa;

Alevante; Figueira; Manjericão Roxo; Guiné; Babosa; Poeijo; Avenca; Hortelã,

entre outras.

* Iansã – Manjericão; Colônia; Alevante; Dandá; Bambu; Ubauba Prateada;

Carqueja; Girassol ( Flor ); Flor Coral; Espada de Santa Bárbara; Espada de Santa Catarina;

Erva de Santa Bárbara; Hortelã; Açucar Mascavo; Maravilha, entre outras.

* Iemanjá – Alfazema; Hortelã,; Rosa Branca; Manjericão; Jasmim; Musgo de Pedra;

Erva de Santa Luzia; Lírio Branco; Palma de São José; Orquídea Branca;

Flor de Laranjeira; Aniz Estrelado; Aguapé, entre outras.

* Oxossí – Eucalipto; Guiné; Alecrim; Peregun Verde; Manjericão; Jurema;

Cipó-Cruz; Romã; Açoita Cavalo; Avenca; Barba de Pau, entre outras.

* Nanã – Erva Quaresma ( Flor ou Folha); Manjericão; Babosa; Jasmim;

Carqueja; Jurema, entre outras.

* Oxum – Jasmim; Erva -Cidreira; Colônia; Rosa Branca; Lírio;

Palma de São José ( Amarelo ); Orirí de Oxum; Mal-me-quer;

Girassol; Eucalipto; Jurema; Manjericão; Hortelã; Dandá, entre outras.

* Ibeji – Aniz Doce; Alfazema; Algodão ( Planta ); Colônia; Manjericão;

Hortelã; Boldo; Girassol; Alecrim da Horta; Levante; Alfavaca de Cheiro;

Musgo; Baunilha Verdadeira; Cravo-da-Índia; Eucalipto Cedro;

Eucalipto Murta e Hortelã. .

* Exú – Vassourinha de Relógio; Arrebenta Cavalo; Urtiga; Figueira;

Mata Cobra; Pinhão Roxo; Fumo, entre outras.

Recomendamos também procurar em livros, como “ Plantas que Curam

e Cortam Feitiços da autora Maria Helena Farelli“ maiores informações,

pois o mesmo possui vasto conhecimento, não somente sobre as Ervas,

mas como fazer banhos, chás, defumações, rezas, etc.

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Cigana Carmencita

HISTORIA DA CIGANA CARMENCITA

História da Cigana Carmencita

Carmencita é uma cigana espanhola, da Andaluzia.
Despertou muitos amores entre ciganos e não ciganos,
mas nunca casou-se, pois seu grande amor morreu jovem antes que pudessem casar.
E Carmencita seguiu com a lembrança de seu amor no coração, mas sem tristeza pois sabia que o ]espírito de seu amado
estava todo o tempo ao seu lado, e isso a preenchia.

Apresenta-se
com roupas coloridas, e floridas. uma rosa amarela no cabelo.

Não dispensa os colares, os anéis e as pulseiras.

Suas argolas são sempre de ouro.

Adora tocar castanholas, principalmente quando dança ao redor da fogueira, nas noites de luar, convidativas ao romance.
As ciganas dessa linha, jogam cartas muito bem, foi o que Carmencita vez durante toda a sua vida.
Suas oferendas podem ser feitas aos sábados,nas matas.

Foto de Gitana Da Rosa Vermelha.
Foto de Gitana Da Rosa Vermelha.

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Foi nos primeiros dias de Agosto de 1385. O Sol dardejava o seu sopro de fogo sobre as terras de Portugal e Espanha. Corpos aquecidos e espíritos ardendo em febre! Ânimos mais exaltados ainda pelo calor da discórdia!

O rei de Castela levara até à Beira a sua invasão em território muito nosso. E o jovem rei de Portugal — rei havia apenas questão de meses — correu para a cidade do Porto para reunir tropas, descendo depois sobre Abrantes, onde iria encontrar-se com o condestável do reino. Este correra antes a Estremoz. Aí, aliciara gente. E fortalecido pela fé de vencer, chegou à cidade de Abrantes, onde iria reunir-se conselho.

O ar, demasiado abafado, quase não girava. No salão, os guerreiros acolhiam com desagrado a ideia de uma grande batalha. Sabiam que o rei de Castela tinha em campo mais de vinte mil homens, enquanto eles, se fossem sete mil, já se poderiam dar por felizes. Votavam, portanto, contra a batalha.

Apesar da pequena estatura, a figura direita e altiva do Condestável impressionava sempre quem o via, até entre os próprios inimigos. Fez-se silêncio quando D. Nuno Álvares Pereira se levantou para falar.

A sua voz soou firme e compassada.

— Senhores! O meu voto é contrário ao vosso e dir-vos-ei por quê. Se ficarmos inactivos — como é vosso parecer — será certa a ruína. Se aqui ficamos, o inimigo, sempre em maior número, nos buscará. Se nos alojarmos num sítio forte, fugindo dele, os Castelhanos correrão a sitiar Lisboa, que sentirá a nossa falta e a falta de mantimentos. Sem víveres, sem armada, sem soldados, com a infidelidade de alguns dos seus naturais, que será da nossa Lisboa? E, caindo Lisboa, cairão por terra todas as nossas esperanças! Não ignoro que seria prudente aguardar socorros de Inglaterra. Mas que poderá restaurar a perda de Lisboa, se ficarmos de braços cruzados, esperando um auxílio demorado? E depois, que faremos nós? Debandaremos então em correria, acção que designo de infamante?… 

Alguém contrapôs:

— E se formos para a batalha e a perdermos?

— Ganharemos pelo menos em honra! No entanto, se a ganharmos, como é minha fé, pela necessidade que temos de pelejar, a vitória saberá aligeirar tudo quanto nos possa ter acontecido!…

Depois, voltando-se para D. João I, que parecia abalado com as opiniões em massa contra a ideia de uma batalha imediata:

— E vós, Senhor, que aceitastes a coroa para defender o reino, perdereis toda a reputação que haveis adquirido se recusardes a peleja! Vede que a maior parte dos soldados contrários são visonhos ou andam atemorizados com as perdas passadas. Se os vossos gloriosos progenitores temessem estas desigualdades de opiniões, decerto não teriam ganho tão insignes vitórias. Senhor! Se outra for a vossa resolução, que não a minha, sabei que eu, só com os que me acompanham, pelejarei com o inimigo, pois julgo mais insofrida uma vida infame que uma morte gloriosa!

D. Nuno terminou a sua alocução. Sabia já ter dito o suficiente para saberem o que poderiam esperar dele. Todavia, os protestos levantaram-se calorosos. Achavam audaciosas, quase loucas, as ideias do Condestável. O conselho ficou adiado. Mas no dia seguinte D. Nuno Álvares Pereira passou com os homens que aliciara à cidade de Tomar, por onde o rei de Castela forçosamente passaria.

Ao ter-se conhecimento desta decisão, muitos fidalgos e chefes guerreiros propuseram a D. João I que castigasse o Condestável por tão audaciosa proeza. Mas qual não foi o espanto desses homens, quando o rei de Portugal decidiu:

— Senhores! Declaro-me também pela batalha! Quero ser rei de Portugal e não de Avis, como alguns para aí me apelidaram!

Houve certo burburinho, abafado pelo natural respeito ao Rei. E D. João I foi juntar-se ao Condestável, saindo de Abrantes depois de orar na Igreja de S. João. E chegaram a Aljubarrota a 14 de Agosto desse mesmo ano de 1385.

O mesmo sol continuava abrasando os campos, secando os regatos, sedentando as bocas. Cantavam as cigarras, que os pés dos soldados iam pisando nesse campo que D. Nuno escolhera para esperar o rei castelhano e todo o seu grande exército.

Pouco depois do meio-dia, os dois exércitos estavam frente a frente. Mas o rei castelhano não se dispôs logo a dar combate, receoso da sua posição estratégica.

Do alto, a luz solar caía a jorros, inundando o plaino de Aljubarrota e queimando as energias nessa enervante espera. Era fogo, o ar que respiravam. E da própria terra que as patas dos cavalos batiam saíam nuvens de pó que mais pareciam fumo. Começavam as bocas a sentirem-se sequiosas, os lábios a gretarem-se, as vontades a enfraquecerem. Então, D. Nuno procurou o valente Antão Vasques.

— Sabeis do que tenho temor? Não é do inimigo, é do sol! Os homens queixam-se de sede… e essa tortura será capaz de os derrotar, antes da luta!

Antão Vasques olhou o Condestável com ansiedade.

— E que fazer, senhor?

Olhando fixamente um ponto vago, D. Nuno meneou a cabeça.

— Perguntais bem, Antão Vasques! Mas creio que só há um caminho: encontrar água para os nossos soldados.

Perfilando-se, Antão Vasques pediu:

— Senhor! Se não vos opuserdes, tomarei eu conta de tal missão. Deixai que procure a água!

— Estais certo de a encontrar?

— Conto com a ajuda de Deus e de S. Jorge! Nem que tenha de arrancar água à própria terra, hei-de encontrá-la… e a vitória será nossa!

D. Nuno olhou-o com simpatia.

—Pois ide… e que S. Jorge vos proteja!

Sem mais ouvir, Antão Vasques correu imediatamente em busca dessa água bendita que poderia salvar as hostes de Portugal. Mas em vão parecia fazê-lo. Sob o sol abrasador, nem uma gota de água surgia nesses campos desertos! O desespero começou a apoderar-se do guerreiro. Mas conta a lenda que a certa altura da sua busca infrutífera, Antão Vasques desceu do cavalo e ajoelhou na terra escaldante. Dos seus lábios ressequidos subiu uma oração:

— Senhor meu Deus! Dizem que cada um de nós tem um Anjo da Guarda! Por tudo vos peço que me envieis o meu Anjo com um pouco de água!

E nesse mesmo instante, como uma miragem, Antão Vasques viu surgir, avançando para ele, uma graciosa camponesa com uma bilha de água na mão.

Murmurou, receoso de enganar-se:

— Será possível tamanho milagre?

Parecendo tê-lo ouvido, a jovem camponesa sorriu. Depois, chegando junto do cavaleiro:

— Senhor… creio que tendes sede. Tomai esta cantarinha e bebei. Tem água fresca e boa!

Antão Vasques nem chegou a responder. Aceitou a cantarinha e levou-a logo à boca, bebendo sofregamente. Só depois agradeceu à jovem:

— Graças! Esta água mata a sede… Mas é tão pouca… e nós somos tantos…

Voltou a camponesa a sorrir.

— Bebei à vontade, cavaleiro! A água não acabará assim tão depressa!

E com um gesto gracioso indicou a bilha que Antão Vasques conservava ainda nas mãos.

— Levai-a convosco e dai de beber aos vossos companheiros!

Antão Vasques olhou perplexo a jovem camponesa. Mas já ela lhe dizia, com certa autoridade na voz:

— Senhor Cavaleiro, não demoreis!… Os vossos companheiros também têm sede…

Sem mais acrescentar, afastou-se em direcção oposta à da batalha que ia travar-se. Duplamente contente, o cavaleiro gritou-lhe então:

— Adeus e obrigado por todos!

E aconchegando a bilha à sua armadura de guerra, Antão Vasques dirigiu-se quase correndo ao campo português, para contar ao Condestável o maravilhoso prodígio.

Entretanto, o rei de Castela, que hesitara em dar luta aos portugueses, preparava-se para atacar. E a água que a misteriosa donzela levara a Antão Vasques chegou no momento oportuno.

Corria de mão em mão, de boca em boca, a bilha pequena, cuja água parecia nascer dentro dela, não se sabe devido a que estranho milagre. Era um oásis de frescura e vigor! Renovamento das forças corporais e do espírito! Os ânimos fortaleceram-se. Havia desejo de lutar e vencer. Todo um exército renovado por ter bebido alguns golos de água de uma infusa de vulgar aparência!

Finalmente, os castelhanos resolveram atacar. A tarde já ia avançada. Supunha o inimigo que os portugueses já estariam exaustos da expectativa, quebrados, pela demora e pela sede. Iriam aproveitar-se dessa moleza em que julgaram envolvidas as nossas hostes. E o grito de guerra soou, como trovão medonho, abalando a terra de Aljubarrota!

Por montes e vales iluminados pela luz brilhante do Sol, subiu o clamor das trombetas, misturado com o ruído das armas e dos homens avançando em tumulto, à conquista de uma vitória esmagadora e decisiva. Mas, por milagre de Deus e esforço dos homens — contra o que os outros esperavam — os sete mil portugueses aguentaram a pé firme, estoicamente, aquela avalancha furiosa de trinta mil! O pó levantado do chão bailava no ar uma dança fantástica. Logo depois do primeiro embate, a surpresa do rei de Castela foi grande, e maior se tornou ainda quando os portugueses, manobrando com inteligência, envolveram o inimigo numa verdadeira tenaz de ferro e fogo! Era o princípio da maior vitóra militar de sempre!

De súbito, Antão Vasques entrou correndo na tenda de D. João I. Entrou chorando e rindo, simultaneamente:

— Senhor! Senhor meu rei! Deixai-me rir e chorar! Rio e choro de alegria! Os castelhanos fogem em debandada! E eu venho entregar-vos esta bandeira que pertenceu ao maior inimigo que tínheis no Mundo!

Caía a noite. Uma noite quente de Verão em que a Lua, qual grande círio, vinha pratear os campos cobertos de cadáveres, como se lhes quisesse prestar uma derradeira homenagem. A morte é sempre a morte, mesmo quando é dada ao inimigo e por uma causa justa.

Por entre as sombras da noite, fugia em debandada o exército castelhano, perseguido agora pelos aldeões. O próprio rei teve de disfarçar-se, mas foi reconhecido. E se passou a fronteira, deve esse gesto à generosidade do rei de Portugal. Entre os castelhanos que tombaram, alguns portugueses perderam também a vida, pela causa de Castela. Alguns portugueses que não souberam ter fé.

Noite de Verão e noite nas almas desse punhado de traidores! Entre eles, triste é dizê-lo, contava-se D. Diogo Álvares Pereira, irmão do Condestável. Todos possuem a sua cruz, e essa não foi pouco pesada a D. Nuno Álvares Pereira. Mas a batalha estava ganha com honra e glória! E embora o Condestável tivesse acreditado sempre no valor dos que tinha a seu lado, não deixava de crer também nesse valor extraordinário que permitira o feliz seguimento da luta — essa água milagrosa descoberta por Antão Vasques. Assim, no sítio onde a camponesa surgira com a cantarinha, D. Nuno Álvares Pereira mandou erguer a capela de S. Jorge.

E ainda hoje, em memória do extraordinário acontecimento, lá está sempre uma bilha de água, para dar de beber a quem passe e tenha sede.

 

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História de Santa Bárbara

 
 

 

 

História de Santa Bárbara

Santa Bárbara é uma Santa Cristã comemorada na Igreja Católica Romana e na Igreja Ortodoxa, que foi uma virgem mártir no século terceiro.

Comemora-se no dia 4 de Dezembro de cada ano.

Santa Bárbara foi uma jovem nascida na cidade de Nicomédia (na região da Bitínia), atual Izmit, Turquia nas margens do Mar de Mármara, isto nos fins do século III da Era Cristã. Esta jovem era a filha única de um rico e nobre habitante desta cidade do Império Romano chamado Dióscoro.

Por ser filha única e com receio de deixar a filha no meio da sociedade corrupta daquele tempo, Dióscoro decidiu fechá-la numa torre. Santa Bárbara na sua solidão, tinha a mata virgem como quintal, e questionava-se, se de fato, tudo aquilo era criação dos ídolos que aprendera a cultuar com seus tutores naquela torre. Por ser muito bela, não lhe faltavam pretendentes para casamentos, mas Bárbara não aceitava nenhum.

Desconcertado diante da cidade, Dióscoro estava convencido que as “desfeitas” da filha justificavam-se pelo fato dela ter ficado trancada muitos anos na torre. Então, ele permitiu que ela fosse conhecer a cidade; durante essa visita ela teve contato com Cristãos, que lhe contaram sobre os ideais de Jesus sobre o mistério da união da Santíssima Trindade. Pouco tempo depois, um padre vindo de Alexandria lhe deu o Batismo.

 

Em certa ocasião, seu pai decidiu construir uma casa de banho com duas janelas para Bárbara. Todavia, dias mais tarde, ele viu-se obrigado a fazer uma longa viagem. Enquanto Dióscoro viajava, sua filha ordenou a construção de uma terceira janela na torre, visto que a casa de banho ficaria na torre. Além disso, ela esculpira uma cruz sobre a fonte.

O seu pai Dióscoro, quando voltou, reparou que a torre onde tinha trancado a filha tinha agora três janelas em vez das duas que ele mandara abrir. Ao perguntar à filha o porquê das três janelas, ela explicou-lhe que isso era o símbolo da sua nova Fé. Este facto deixou o pai furioso, pois ela se recusava a seguir a fé dos Deuses do Olimpo.

Debaixo de um impulso e obedecendo à sua fé, o pai denunciou-a ao Prefeito Martiniano. Este mandou-a torturar numa tentativa de a fazer mudar de idéias, fato que não aconteceu. Assim Marcius condenou-a à morte por degolação.

Durante sua tortura em praça pública, uma jovem cristã de nome Juliana denunciou os nomes dos carrascos, e imediatamente foi presa e entregue à morte juntamente com Bárbara.

Ambas foram levadas pelas ruas de Nicomédia por entre os gritos de raiva da multidão. Bárbara teve os seios cortados, depois foi conduzida para fora da cidade onde o seu próprio pai a executou, degolando-a. Quando a cabeça de Bárbara rolou pelo chão, um imenso trovão estourou pelos ares fazendo tremer os céus. Um relâmpago flamejou pelos ares e atravessando o céu fez cair por terra o corpo sem vida de Dióscoro.

Atribuições de Santa Bárbara

Depois deste acontecimento Santa Bárbara passou a ser considerada a protetora contra tempestades, raios, relâmpagos e trovões e é considerada a Padroeira dos artilheiros, dos mineiros e de todos quantos trabalham com fogo.

 

 

 

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História de Santa Bárbara

 
 

 

 

História de Santa Bárbara

Santa Bárbara é uma Santa Cristã comemorada na Igreja Católica Romana e na Igreja Ortodoxa, que foi uma virgem mártir no século terceiro.

Comemora-se no dia 4 de Dezembro de cada ano.

Santa Bárbara foi uma jovem nascida na cidade de Nicomédia (na região da Bitínia), atual Izmit, Turquia nas margens do Mar de Mármara, isto nos fins do século III da Era Cristã. Esta jovem era a filha única de um rico e nobre habitante desta cidade do Império Romano chamado Dióscoro.

Por ser filha única e com receio de deixar a filha no meio da sociedade corrupta daquele tempo, Dióscoro decidiu fechá-la numa torre. Santa Bárbara na sua solidão, tinha a mata virgem como quintal, e questionava-se, se de fato, tudo aquilo era criação dos ídolos que aprendera a cultuar com seus tutores naquela torre. Por ser muito bela, não lhe faltavam pretendentes para casamentos, mas Bárbara não aceitava nenhum.

Desconcertado diante da cidade, Dióscoro estava convencido que as “desfeitas” da filha justificavam-se pelo fato dela ter ficado trancada muitos anos na torre. Então, ele permitiu que ela fosse conhecer a cidade; durante essa visita ela teve contato com Cristãos, que lhe contaram sobre os ideais de Jesus sobre o mistério da união da Santíssima Trindade. Pouco tempo depois, um padre vindo de Alexandria lhe deu o Batismo.

 

Em certa ocasião, seu pai decidiu construir uma casa de banho com duas janelas para Bárbara. Todavia, dias mais tarde, ele viu-se obrigado a fazer uma longa viagem. Enquanto Dióscoro viajava, sua filha ordenou a construção de uma terceira janela na torre, visto que a casa de banho ficaria na torre. Além disso, ela esculpira uma cruz sobre a fonte.

O seu pai Dióscoro, quando voltou, reparou que a torre onde tinha trancado a filha tinha agora três janelas em vez das duas que ele mandara abrir. Ao perguntar à filha o porquê das três janelas, ela explicou-lhe que isso era o símbolo da sua nova Fé. Este facto deixou o pai furioso, pois ela se recusava a seguir a fé dos Deuses do Olimpo.

Debaixo de um impulso e obedecendo à sua fé, o pai denunciou-a ao Prefeito Martiniano. Este mandou-a torturar numa tentativa de a fazer mudar de idéias, fato que não aconteceu. Assim Marcius condenou-a à morte por degolação.

Durante sua tortura em praça pública, uma jovem cristã de nome Juliana denunciou os nomes dos carrascos, e imediatamente foi presa e entregue à morte juntamente com Bárbara.

Ambas foram levadas pelas ruas de Nicomédia por entre os gritos de raiva da multidão. Bárbara teve os seios cortados, depois foi conduzida para fora da cidade onde o seu próprio pai a executou, degolando-a. Quando a cabeça de Bárbara rolou pelo chão, um imenso trovão estourou pelos ares fazendo tremer os céus. Um relâmpago flamejou pelos ares e atravessando o céu fez cair por terra o corpo sem vida de Dióscoro.

Atribuições de Santa Bárbara

Depois deste acontecimento Santa Bárbara passou a ser considerada a protetora contra tempestades, raios, relâmpagos e trovões e é considerada a Padroeira dos artilheiros, dos mineiros e de todos quantos trabalham com fogo.

 

 

 

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História do Caboclo Pena Verde

 

 

 

 

 

Certo dia, a sua tribo foi invadida e começou uma guerra sangrenta, Pena Verde, sentiu uma profunda dor nas costas, havia sido alvejado por uma flecha…

É de uma Tribo Asteca, oriunda dos Estados Unidos que veio migrando até chegar na Amazônia, onde se instalou.

Sua aparência: usava calça de couro, tinha cabelos longos e grisalhos e seu penacho, longo, tinha as cores (verde, vermelha e branca) cada cor representada um irmão.

Relatou que para um índio se tornar pagé, tinha que participar de um ritual: caçar e trazer um javali para a tribo;

Quando Pene Verde foi participar deste ritual, tinha mais um adversário, o vencedor seria quem trouxesse a presa primeiro;

Os dois saíram para a missão no mesmo dia. O seu adversário voltou no dia seguinte com um javali abatido.

Pena Verde só retornou após 30 dias, o impressionante é que ele não precisou abater o javali, durante este período ficou observando o comportamento e foi se aproximando até domá-lo. Só então retornou para a tribo. Entrou triunfante, montado no animal!

Tinha dois guerreiros que considerava seus braços, o filho e o sobrinho.

Certo dia, a sua tribo foi invadida e começou uma guerra sangrenta, Pena Verde, sentiu uma profunda dor nas costas, havia sido alvejado por uma flecha, antes de morrer, pediu a Tupã para ver quem era o autor de tamanha atrocidade. Poucos minutos se passaram e ele pode ver seus guerreiros sendo massacrados, mulheres e crianças sofrendo as maiores barbaridades, então virou-se para trás e pode ver que o seu querido sobrinho a quem tinha tanta estima e confiança era o mentor do ataque.

Para que morresse em paz, Pena Verde perdoou seu sobrinho, tirou a flecha das costas e partiu!

 

 

Ponto:

Ele vem lá de Aruanda,

 

vem  de lança e cocar ,

 

caçador vence demanda,

 

seu Pena Verde que chegou pra trabalhar,

 

vem num raio luminoso,

 

Yansã quem lhe mandou,

 

índio forte e corajoso,

 

que  o terreiro abençoou,

 

ele é guerreiro dos filhos é protetor,

 

de Oxossi é mensageiro,

 

reina na mata ,é vencedor!

 

*****

 

PONTO DO CABOCLO PENA VERDE


Ele veio da sua mata,
Veio saravá o congá.
Sua suna é Pena Verde,
Aqui e em qualquer lugar.

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 original 

domingo, 4 de novembro de 2012

Egun – Nossos antepassados estão de volta ao mundo dos vivos…..

 

 

babaegun

Segundo a tradição do culto dos Eguns, é originário da África, mais precisamente da região de Oyó.  O culto de Egungun, é exclusivo de homens, sendo Alápini o cargo mais elevado dentro do culto tendo como auxiliares os Ojés. Todo integrante do culto de Egungun é chamado de Mariwó. Na África, Xangô é considerado a encarnação do Deus primordial do Sol, raios e tempestades, Xangô seria a encarnação de Jakutá, que é considerado a mão de Olorun que pune, o caráter punitivo de Olorun, ele representa o poder de Olorun, tanto que fora enviado ao mundo em criação para estabelecer a ordem entre Oxalá e Oduduá, que são as duas divindades que foram encarregadas, por Olorun, para criação. Desta forma, Xangô é cultuado como um Orixá Egungun, Orixá por ele ser nada mais nada menos que o Orixá da execução, da punição divina e Egungun por ele ter tido sua passagem pela terra como homem e ter se iniciado. Xangô foi o criador do culto de Egungun e ele foi o primeiro Ojé   ( Sacerdote do Culto aos Mortos ) e também foi o primeiro Alapini ( Sumo-sacerdote do Culto aos Mortos ) isso é evidenciado em um de seus Orikis que fala:

Babá Egun Ilha de Itaparica BA (Foto Pierre Verge)

“Rei do Trovão ( Raios ) Rei do Trovão ( Raios ) Encaminha o Fogo sem errar o alvo ( Alusão aos Raios ), nosso vaidoso Ojé Xangô alcançou o Palácio Real Único que possuiu Oiá Grande líder dos Orixás Rei que conversa no Céu e que possui a honra dos Ojés Rei que conversa no Céu e que possui a honra dos Ojés.”

Xangô é o fundador do culto aos Eguns, somente ele tem o poder de controlá-los, como diz um trecho de um Itã:

“Em um dia muito importante, em que os homens estavam prestando culto aos ancestrais, com Xangô a frente, as Iyámi Ajé fizeram roupas iguais as de Egungun, vestiram-na e tentaram assustar os homens que participavam do culto, todos correram mas Xangô não o fez, ficou e as enfrentou desafiando os supostos espíritos. As Iyámis ficaram furiosas com Xangô e juraram vingança, em um certo momento em que Xangô estava distraído atendendo seus súditos, sua filha brincava alegremente, subiu em um pé de Obi, e foi aí que as Iyámis Ajé atacaram, derrubaram a Adubaiyani filha de Xangô que ele mais adorava. Xangô ficou desesperado, não conseguia mais governar seu reino que até então era muito próspero, foi até Orunmilá, que lhe disse que Iyami é quem havia matado sua filha, Xangô quiz saber o que poderia fazer para ver sua filha só mais uma vez, e Orunmilá lhe disse para fazer oferendas ao Orixá Iku (Oniborun), o guardião da entrada do mundo dos mortos, assim Xangô fez, seguindo a risca os preceitos de Orunmilá.

egun-atokun_g

Xangô conseguiu rever sua filha e pegou para sí o controle absoluto dos mistérios de Egungun (ancestrais), estando agora sob domínio dos homens este culto e as vestimentas dos Eguns, e se tornando estritamente proibida a participação de mulheres neste culto, caso essa regra seja desrespeitada provocará a ira de Olorun. Xangô , Iku e dos próprios Eguns, este foi o preço que as mulheres tiveram que pagar pela maldade de suas ancestrais.”

De quatro em quatro dias (uma semana iorubana), Iku (a Morte) vinha à cidade de Ilê-Ifé munida de um cajado (Òpá iku) e matava
indiscriminadamente as pessoas. Nem mesmo os Orixás podiam com Iku. Um cidadão chamado AmeiyÉgún prometeu salvar as
pessoas. Para tal, confeccionou uma roupa feita com várias tiras de pano, em diversas cores, que escondia todas as partes do seu corpo, inclusive a própria cabeça, e fez sacrifícios apropriados. No dia em que a Morte apareceu, ele e seus familiares vestiram as tais roupas e se esconderam no mercado.

Quando a Morte chegou, eles apareceram pulando, correndo e gritando com vozes inumanas, e ela, apavorada, fugiu deixando cair
seu cajado. Desde então a Morte deixou de atacar os habitantes de Ifé. Os babalawos (adivinhos e sacerdotes de Òrunmilá) disseram a
AmeiyÉgún que ele e seus familiares deveriam adorar e cultuar os mortos por todas as suas gerações, lembrando como eles venceram
a Morte. Égún é a terminação do nome de AmeiyÉgún, e é como hoje são conhecidos os ancestrais do seu clã (Égún ou Égúngún ).
É a vitória da vida pós-morte: como no mito em que a vida venceu a morte, da mesma forma os Égúns se apresentam, hoje, cobertos de
panos e portando um cajado.

 

Segundo a lenda yourubá…..

Havia na cidade do Oyó um fazendeiro chamado Alapini, que tinha três filhos chamados Ojéwuni, Ojésamni e Ojérinlo. Um dia Alapini foi
viajar e deixou recomendações aos filhos para que colhessem os inhames e os armazenassem, mas que não comessem um tipo
especial de inhame chamado ‘ihobia’, pois ele deixava as pessoas com uma terrível sede. Seus filhos ignoraram o aviso e o comeram
em demasia. Depois, beberam muita água e, um a um, acabaram todos morrendo.
Quando Alapini retornou, encontrou a desgraça em sua casa. Desesperado, correu ao babalawô, que jogou Ifá para ele. O sacerdote disse que ele se acalmasse, e que após o l7º dia fosse ao ribeirão do bosque e executasse o ritual que foi prescrito no jogo. Ele deveria escolher um galho da árvore sagrada àtòrì e fazer um bastão (assim é feito o ixan). Na margem do ribeirão, deveria bater com o bastão na terra e chamar pelos nomes dos seus filhos, que na terceira vez eles apareceriam. Mas ele também não poderia esquecer de antes fazer certos sacrifícios e oferendas. Assim ele o fez, seus filhos apareceram.
Mas eles tinham rostos e corpos estranhos, era então preciso cobrilos para que as pessoas pudessem vê-los sem se assustarem. Pediu
que seus filhos ficassem na floresta e voltou à cidade. Contou o fato ao povo, e as pessoas fizeram roupas para ele vestir seus filhos.
Deste dia em diante ele poderia ver e mostrar seus filhos a outras pessoas, as belas roupas que eles ganharam escondiam perfeitamente sua condição de mortos.
Alapini e seus filhos fizeram um pacto: em um buraco feito na terra pelo seu pai (ojubô), no mesmo local do primeiro encontro (igbo
igbalé), ali seriam feitas as oferendas e os sacrifícios e guardadas as roupas, para que eles as vestissem quando o pai os chamasse
através do ritual do bastão. Seguindo o pacto e as instruções do babalawo, de que sempre que os filhos morressem fosse realizado o
ritual após o l7º dia, pais e filhos para sempre se encontraram. E, para os filhos que ainda não tiverem roupas, é só pedir às pessoas
que elas as farão com imenso prazer.

 

Egungun,  espírito ancestral de pessoa importante, homenageado no Culto aos Eguns, esse culto é feito em casas separadas das casas dos Orixás.

A relação de Oyá com Egungun…..

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Dentro do Lèsànyìn possui como um dos primeiros assentos fundamentais o de Oya Ìgbàlé, pois é ela que controla o mundo dos mortos, a qual em todas as festas do calendário litúrgico, oferendas e reverências lhe são prestados cujo ápice é o dia de finados no mês de novembro dedicado totalmente a ela, e a todos os seus filhos, os mortos.
Oya Ìgbàlé é no culto aos Égún a única e exclusiva Òrìsà feminina cultuada e venerada pela sociedade dos Égún, composta exclusivamente por homens que contém o segredo em comum da evocação dos Égún, e reverenciada pelos próprios Égún. Inúmeros são os mitos que estabelecem a relação de Oya Ìgbàlé com os Égún. No primeiro deles revela a origem de Égún como filho de Oya vinculando a seu tabu alimentar:

Oiá lamentava-se de não ter filhos. Esta triste situação era conseqüência da ignorância a respeito de suas proibições
alimentares. Embora a carne de cabra lhe fosse recomendada, ela comia a de carneiro. Oiá consultou um babalaô, que lhe revelou o
seu erro, aconselhando-a a fazer oferendas, entre as quais deveria haver um tecido vermelho. Este pano, mais tarde, haveria de servir
para confeccionar as vestimentas dos Égúngún.
Tendo comprido essa obrigação, Oiá tornou-se mãe de nove crianças, o que se exprime em ioruba pela frase: ‘’Iyá Omo mésàn’’,
origem de seu nome Iansã. Assim que a roupa de Égúngún foi criada, formou-se, em torno dessa ‘’novidade’’, uma sociedade
composta exclusivamente de mulheres com o objetivo de enfrentar a preponderância dos homens. Mas elas exageraram e aproveitaramse da confusão provocada pela aparição dos Égúngún, nas ruas da cidade, para enganar impunemente seus maridos. Estes, exasperados, conseguiram descobrir seu segredo, apoderaram-se da sociedade e reservaram-na aos homens, delas excluindo as
mulheres para sempre. (VERGER, 2002, p. 168 a 170)

O segundo o mito também revela a origem de Égún, mas como sendo o nono filho de Oya ressaltando todo o seu poderoso poder genitor:

Oía não podia ter filhos. Procurou o conselho de um babalaô. Ele revelou-lhe que somente teria filhos quando fosse possuída por um
homem com violência. Um dia Xangô a possuiu assim e dessa relação Oiá teve nove filhos. Desses filhos, oito nasceram mudos.
Oiá procurou novamente o babalaô. Ele recomendou que ela fizesse oferendas. Tempo depois nasceu um filho que não era mudo, mas
tinha uma voz estranha, rouca, profunda, cavernosa. Esse filho foi Égúngum, o antepassado que fundou cada família. Foi Égúngum, o
ancestral que fundou cada cidade. Hoje, quando Égúngum volta para dançar entre seus descendentes, usando suas ricas máscaras
e roupas coloridas, somente diante de uma mulher ele se curva. Somente diante de Oiá se curva Égúngum. (PRANDI, 2005, p. 309).

Portanto, este mito revela porque Oya Ìgbàlé é cultuada ao lado dos Égún, pois ela é a /senhora dos nove Òrun, simbolizados pelos nove filhos do mito dos quais os oitos primeiros representam os Àra-òrun, os habitantes do Òrun, e o nono representa os Égún vinculando
também a sua forma de falar característica. Oya Ìgbàlé também é herdeira do principio poder feminino, o segredo da gestação, da criação da vida, pertence à esfera do sangue vermelho, do àsé, que é à base de origem de Égún.

O terceiro mito descreve como Oya Ìgbàlé cria a sociedade dos Égún, e também as origens das roupas, a forma de falar rouca e cavernosa como o do macaco marrom da Nigéria, o Ijimeré (SANTOS, Deoscoredes M, 1981, p.183), de agir e de dominar os Égún, assim como o culto aos Égún e sua sociedade foram tomadas das mulheres pelos homens:

No começo do mundo, a mulher intimidava o homem desse tempo, e o manejava com o dedo mindinho. É por isso que Oya (conhecida
mais comumente nos cultos afro-brasileiros sob o nome de Iyansan) foi a primeira a inventar o segredo ou a maçonaria dos Égúngún
, sob todos os seus aspectos. Assim, quando as mulheres queriam humilhar seus maridos, reuniam-se numa encruzilhada sob a
direção de Iyasa. Ela já estava ali com um macaco que tinha domado, preparado com roupas apropriadas ao pé do tronco de um
igi, árvore, para ele fazer o que fosse determinado por Iyansan por meio de uma vara que ela segurava na mão, conhecida com o nome
de isan.
Depois de cerimônia especial, o macaco aparecia e desempenhava seu papel seguindo as ordens de Iyasan. Isso se dava diante dos
homens que fugiam aterrorizados por causa dessa aparição. Finalmente, um dia, os homens resolveram tomar providências para
acabar com a vergonha de viverem continuamente sob o domínio das mulheres. Decidiram então ir a Òrunmilá (deus do oráculo de
Ifá) a fim de consultar Ifá para saber que poderiam fazer para remediar uma tal situação.
Depois de ter consultado o oráculo, Òrunmilá lhes explicou tudo o que estava acontecendo e que eles deveriam fazer. Em seguida ele
mandou Ogun fazer uma oferenda, ebo, compreendendo galos, uma roupa, uma espada, um chapéu usado, na encruzilhada, ao pé da
referida árvore, antes que as mulheres se reunissem. Dito e feito, Ogun chegou bem cedo a encruzilhada e fez o preceito com os
galos de acordo com o que Òrunmilá ordenou. Em seguida, ele pôs a roupa, o chapéu e pegou a espada em sua mão. Mais tarde,
durante o dia, quando as mulheres chegaram e se reuniram para celebrar os ritos habituais, de repente, viram aparecer uma forma
terrificante. A aparição era tão terrível que a principal das mulheres, isto é, que estava a frente, Iyasan, foi a primeira a fugir. Graças a
força e poder que tinha, ela desapareceu para sempre da face da terra.
Assim, depois desta época, os homens dominaram as mulheres e são senhores absolutos do culto. Proibiram e proíbem sempre as
mulheres penetrar no segredo de toda a sociedade de tipo maçônico. Mas, segundo o provérbio, é a exceção que faz a regra,
os raros exemplos de sociedades secretas as quais eram autorizadas a participar em território Yorubá continuaram a existir
em circunstancias especiais. Isso explica por que Iyasan-Oya é adorada e venerada por todos na qualidade de Rainha e Fundadora
da Sociedade secreta dos Égúngún na terra. (SANTOS, Juana, 1998, p. 122 a 123).

Mas o cargo de detentora e senhora do mundo dos mortos e de todos os seus habitantes foi um presente dado por Obaluaê, filho de Nanã Buruku, e como tal o senhor original do mundo dos mortos, foi dado em sinal de gratidão a Oya pelos seus feitos durante as festas, o sirê dos Òrìsà, como conta os dois mitos seguintes:

Chegando de viagem a aldeia onde nascera, Obaluaê viu que estava acontecendo uma festa coma presença de todos os Orixás.
Obaluaê não podia entrar na festa, devido a sua medonha aparência. Então ficou espreitando pelas fretas do terreiro. Ogum,
ao perceber a angustia do Orixá, cobriu-lhe com uma roupa de palha que ocultava sua cabeça e convidou-o a entrar e aproveitar a alegria
dos festejos. Apesar de envergonhado, Obaluaê entrou, mas ninguém se aproximava dele. Iansã tudo acompanhava com o rabo
do olho. Ela compreendia a triste situação de Omulu e dele se compadecia. Iansã esperou que ele estivesse bem no centro do
barracão. O xirê estava animado. Os Orixás dançavam alegremente com suas equedes. Iansã chegou então bem perto dele e soprou
suas roupas de mariô, levantando as palhas que cobriam suas pestilência. Nesse momento de encanto e ventania, as feridas de
Obaluaê pulavam para o alto, transformadas numa chuva de pipoca, que se espelharam brancas pelo barracão. Obaluaê, o deus das
doenças, transformou-se em um jovem, num jovem belo e encantador. Obaluaê e Iansã Igbalé tornaram-se grandes amigos e
reinaram juntos sobre o mundo dos espíritos, partilhando o poder único de abrir e interromper as demandas dos mortos sobre os
homens. (PRANDI, 2005, p. 206).
Certa vez houve uma festa com todas as divindades presentes. Obaluaê chegou vestido seu capucho de palha. Ninguém o podia
reconhecer sob o disfarce e nenhuma mulher quis dançar com ele. Só Oiá, corajosa, atirou-se na dança com o Senhor da Terra. Tanto
girava Oiá na sua dança que provocava o vento. E o vento de Oiá levantou as palhas e descobriu o corpo de Obaluaê. Para a surpresa
de todos era um belo homem. O povo o aclamou por sua beleza. Obaluaê ficou mais que contente com a festa, ficou grato. E, em
recompensa, dividiu com ela o seu reino. Fez de Oiá a rainha dos espíritos dos mortos, Rainha que é Oiá Igbalé, a condutora dos
Égúns. Oiá então dançou e dançou de alegria. Para mostrar a todos seu poder sobre os mortos, quando ela dança agora, agita no ar o
inruquerê, o espanta-mosca com que afasta os Égúns para o outro mundo. Rainha Oiá Igbalé, a condutora dos espíritos. Rainha que foi
sempre a grande paixão de Omulu. (PRANDI, 2005, p. 308).
No Lèsànyìn encontram-se os dois elementos litúrgicos essenciais do culto: assentos individuais e específicos de cada Égún Àgbà, os Égún mais antigos, devidamente preparados para serem invocados individualmente, pois foram realizados e compridos todos
os rituais de preparação para a sua invocação antes da morte do Ojé Àgbá e durante os sete anos após o falecimento deles, que será o novo Égún a ser cultuado; e o assento que é a representação coletiva dos ancestrais, de todos os mortos, os òku-òrun, o chamado Òpá-
Kòko. Os assentos individuais dos Égún Àgbá do Lèsànyìn são assim descritos:

Os assentos individuais dos Égún são continentes de barro com larga boca que contém uma mistura de barro e àse, de folhas e
outros elementos, especifica para cada Égún que enche totalmente o interior, transbordando do recipiente, formando um montículo
incrustados de cauris. Esses ‘’assentos’’ individuais estão dispostos sobre um banco feito de terra, baixo e estreito, chamado pepele.
(SANTOS, Juana, 1998, p. 203).

No Brasil  o  principal  culto à Egungun é praticado na Ilha de Itaparica  no estado da Bahia  mas existem casas em outros estados brasileiros.

Normalmente chamado de Babá (pai) Egun, Babá-Egun. Também pode ser referido como Êssa nome dos ancestrais fundadores do Aramefá de Oxossi  (conselho de Oxóssi, composto de seis pessoas). Ou Esa espírito dos adoxu e dignitários do egbe (casa).

Os nagôs, cultuam os espíritos dos mais velhos de diversas formas, de acordo com a hierarquia  que tiveram dentro da comunidade e com a sua atuação em pról da preservação e da transmissão dos valores culturais. E só os espíritos especialmente preparados para serem invocados e materializados  é que recebem o nome EgunEgungunBabá Egun ou simplesmente Babá (pai), sendo objeto desse culto todo especial.

Porque o objetivo principal do Culto dos Egun é tornar visível os espíritos dos ancetrais, agindo como uma ponte, um veículo, um elo entre os vivos e seus antepassados. E ao mesmo tempo que mantém a continuidade entre a vida e a morte, o culto mantém estrito controle das relações entre os vivos e mortos, estabelecendo uma distinção bem clara entre os dois mundos: o dos vivos e o dos mortos (os dois níveis da existência).

BABA-EGUN

Assim, os Babá trazem para seus descendentes e fiéis suas bênçãos e seus conselhos mas não podem ser tocados, e ficam sempre isolados dos vivos. Suas presença é rigorosamente controlada pelos Ojé  (sacerdotes do culto) e ninguém pode se aproximar deles.

Os Egungun se materializam, aparecendo para os descendentes e fiéis de uma forma espetacular, em meio a grandes cerimônias e festas, com vestes muito ricas e coloridas, com símbolos característicos que permitem estabelecer sua hierarquia.

Os Babá Egun ou Egun Agbá (os ancestrais mais antigos) se destacam por estar cobertos com uma roupa específica do Egun — chamada de eku na Nigéria ou opá na Bahia,  são enfeitadas com búzios, espelhos e contas e por um conjunto de tiras de pano bordadas e enfeitadas que é chamado Abalá, além de uma espécie de avental chamado Bantê, e por emitirem uma voz característica, gutural ou muito fina.

Os Aparaká são Egun mais jovens: não têm Abalá nem Bantê e nem uma forma definida; e são ainda mudos e sem identidade revelada, pois ainda não se sabe quem foram em vida.

Acredita-se, então, que sob as tiras de pano encontra-se um ancestral conhecido ou, se ele não é reconhecível, qualquer coisa associada à morte. Neste último caso, o Egungun representa ancestrais coletivos que simbolizam conceitos morais e são os mais respeitados e temidos entre todos os Egungun, guardiães que são da ética e da disciplina moral do grupo.

 

  Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Egungun e http://www.palmares.gov.br/

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