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Cigana Carmencita

HISTORIA DA CIGANA CARMENCITA

História da Cigana Carmencita

Carmencita é uma cigana espanhola, da Andaluzia.
Despertou muitos amores entre ciganos e não ciganos,
mas nunca casou-se, pois seu grande amor morreu jovem antes que pudessem casar.
E Carmencita seguiu com a lembrança de seu amor no coração, mas sem tristeza pois sabia que o ]espírito de seu amado
estava todo o tempo ao seu lado, e isso a preenchia.

Apresenta-se
com roupas coloridas, e floridas. uma rosa amarela no cabelo.

Não dispensa os colares, os anéis e as pulseiras.

Suas argolas são sempre de ouro.

Adora tocar castanholas, principalmente quando dança ao redor da fogueira, nas noites de luar, convidativas ao romance.
As ciganas dessa linha, jogam cartas muito bem, foi o que Carmencita vez durante toda a sua vida.
Suas oferendas podem ser feitas aos sábados,nas matas.

Foto de Gitana Da Rosa Vermelha.
Foto de Gitana Da Rosa Vermelha.

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História do Caboclo Pena Verde

 

 

 

 

 

Certo dia, a sua tribo foi invadida e começou uma guerra sangrenta, Pena Verde, sentiu uma profunda dor nas costas, havia sido alvejado por uma flecha…

É de uma Tribo Asteca, oriunda dos Estados Unidos que veio migrando até chegar na Amazônia, onde se instalou.

Sua aparência: usava calça de couro, tinha cabelos longos e grisalhos e seu penacho, longo, tinha as cores (verde, vermelha e branca) cada cor representada um irmão.

Relatou que para um índio se tornar pagé, tinha que participar de um ritual: caçar e trazer um javali para a tribo;

Quando Pene Verde foi participar deste ritual, tinha mais um adversário, o vencedor seria quem trouxesse a presa primeiro;

Os dois saíram para a missão no mesmo dia. O seu adversário voltou no dia seguinte com um javali abatido.

Pena Verde só retornou após 30 dias, o impressionante é que ele não precisou abater o javali, durante este período ficou observando o comportamento e foi se aproximando até domá-lo. Só então retornou para a tribo. Entrou triunfante, montado no animal!

Tinha dois guerreiros que considerava seus braços, o filho e o sobrinho.

Certo dia, a sua tribo foi invadida e começou uma guerra sangrenta, Pena Verde, sentiu uma profunda dor nas costas, havia sido alvejado por uma flecha, antes de morrer, pediu a Tupã para ver quem era o autor de tamanha atrocidade. Poucos minutos se passaram e ele pode ver seus guerreiros sendo massacrados, mulheres e crianças sofrendo as maiores barbaridades, então virou-se para trás e pode ver que o seu querido sobrinho a quem tinha tanta estima e confiança era o mentor do ataque.

Para que morresse em paz, Pena Verde perdoou seu sobrinho, tirou a flecha das costas e partiu!

 

 

Ponto:

Ele vem lá de Aruanda,

 

vem  de lança e cocar ,

 

caçador vence demanda,

 

seu Pena Verde que chegou pra trabalhar,

 

vem num raio luminoso,

 

Yansã quem lhe mandou,

 

índio forte e corajoso,

 

que  o terreiro abençoou,

 

ele é guerreiro dos filhos é protetor,

 

de Oxossi é mensageiro,

 

reina na mata ,é vencedor!

 

*****

 

PONTO DO CABOCLO PENA VERDE


Ele veio da sua mata,
Veio saravá o congá.
Sua suna é Pena Verde,
Aqui e em qualquer lugar.

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 original 

domingo, 4 de novembro de 2012

Egun – Nossos antepassados estão de volta ao mundo dos vivos…..

 

 

babaegun

Segundo a tradição do culto dos Eguns, é originário da África, mais precisamente da região de Oyó.  O culto de Egungun, é exclusivo de homens, sendo Alápini o cargo mais elevado dentro do culto tendo como auxiliares os Ojés. Todo integrante do culto de Egungun é chamado de Mariwó. Na África, Xangô é considerado a encarnação do Deus primordial do Sol, raios e tempestades, Xangô seria a encarnação de Jakutá, que é considerado a mão de Olorun que pune, o caráter punitivo de Olorun, ele representa o poder de Olorun, tanto que fora enviado ao mundo em criação para estabelecer a ordem entre Oxalá e Oduduá, que são as duas divindades que foram encarregadas, por Olorun, para criação. Desta forma, Xangô é cultuado como um Orixá Egungun, Orixá por ele ser nada mais nada menos que o Orixá da execução, da punição divina e Egungun por ele ter tido sua passagem pela terra como homem e ter se iniciado. Xangô foi o criador do culto de Egungun e ele foi o primeiro Ojé   ( Sacerdote do Culto aos Mortos ) e também foi o primeiro Alapini ( Sumo-sacerdote do Culto aos Mortos ) isso é evidenciado em um de seus Orikis que fala:

Babá Egun Ilha de Itaparica BA (Foto Pierre Verge)

“Rei do Trovão ( Raios ) Rei do Trovão ( Raios ) Encaminha o Fogo sem errar o alvo ( Alusão aos Raios ), nosso vaidoso Ojé Xangô alcançou o Palácio Real Único que possuiu Oiá Grande líder dos Orixás Rei que conversa no Céu e que possui a honra dos Ojés Rei que conversa no Céu e que possui a honra dos Ojés.”

Xangô é o fundador do culto aos Eguns, somente ele tem o poder de controlá-los, como diz um trecho de um Itã:

“Em um dia muito importante, em que os homens estavam prestando culto aos ancestrais, com Xangô a frente, as Iyámi Ajé fizeram roupas iguais as de Egungun, vestiram-na e tentaram assustar os homens que participavam do culto, todos correram mas Xangô não o fez, ficou e as enfrentou desafiando os supostos espíritos. As Iyámis ficaram furiosas com Xangô e juraram vingança, em um certo momento em que Xangô estava distraído atendendo seus súditos, sua filha brincava alegremente, subiu em um pé de Obi, e foi aí que as Iyámis Ajé atacaram, derrubaram a Adubaiyani filha de Xangô que ele mais adorava. Xangô ficou desesperado, não conseguia mais governar seu reino que até então era muito próspero, foi até Orunmilá, que lhe disse que Iyami é quem havia matado sua filha, Xangô quiz saber o que poderia fazer para ver sua filha só mais uma vez, e Orunmilá lhe disse para fazer oferendas ao Orixá Iku (Oniborun), o guardião da entrada do mundo dos mortos, assim Xangô fez, seguindo a risca os preceitos de Orunmilá.

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Xangô conseguiu rever sua filha e pegou para sí o controle absoluto dos mistérios de Egungun (ancestrais), estando agora sob domínio dos homens este culto e as vestimentas dos Eguns, e se tornando estritamente proibida a participação de mulheres neste culto, caso essa regra seja desrespeitada provocará a ira de Olorun. Xangô , Iku e dos próprios Eguns, este foi o preço que as mulheres tiveram que pagar pela maldade de suas ancestrais.”

De quatro em quatro dias (uma semana iorubana), Iku (a Morte) vinha à cidade de Ilê-Ifé munida de um cajado (Òpá iku) e matava
indiscriminadamente as pessoas. Nem mesmo os Orixás podiam com Iku. Um cidadão chamado AmeiyÉgún prometeu salvar as
pessoas. Para tal, confeccionou uma roupa feita com várias tiras de pano, em diversas cores, que escondia todas as partes do seu corpo, inclusive a própria cabeça, e fez sacrifícios apropriados. No dia em que a Morte apareceu, ele e seus familiares vestiram as tais roupas e se esconderam no mercado.

Quando a Morte chegou, eles apareceram pulando, correndo e gritando com vozes inumanas, e ela, apavorada, fugiu deixando cair
seu cajado. Desde então a Morte deixou de atacar os habitantes de Ifé. Os babalawos (adivinhos e sacerdotes de Òrunmilá) disseram a
AmeiyÉgún que ele e seus familiares deveriam adorar e cultuar os mortos por todas as suas gerações, lembrando como eles venceram
a Morte. Égún é a terminação do nome de AmeiyÉgún, e é como hoje são conhecidos os ancestrais do seu clã (Égún ou Égúngún ).
É a vitória da vida pós-morte: como no mito em que a vida venceu a morte, da mesma forma os Égúns se apresentam, hoje, cobertos de
panos e portando um cajado.

 

Segundo a lenda yourubá…..

Havia na cidade do Oyó um fazendeiro chamado Alapini, que tinha três filhos chamados Ojéwuni, Ojésamni e Ojérinlo. Um dia Alapini foi
viajar e deixou recomendações aos filhos para que colhessem os inhames e os armazenassem, mas que não comessem um tipo
especial de inhame chamado ‘ihobia’, pois ele deixava as pessoas com uma terrível sede. Seus filhos ignoraram o aviso e o comeram
em demasia. Depois, beberam muita água e, um a um, acabaram todos morrendo.
Quando Alapini retornou, encontrou a desgraça em sua casa. Desesperado, correu ao babalawô, que jogou Ifá para ele. O sacerdote disse que ele se acalmasse, e que após o l7º dia fosse ao ribeirão do bosque e executasse o ritual que foi prescrito no jogo. Ele deveria escolher um galho da árvore sagrada àtòrì e fazer um bastão (assim é feito o ixan). Na margem do ribeirão, deveria bater com o bastão na terra e chamar pelos nomes dos seus filhos, que na terceira vez eles apareceriam. Mas ele também não poderia esquecer de antes fazer certos sacrifícios e oferendas. Assim ele o fez, seus filhos apareceram.
Mas eles tinham rostos e corpos estranhos, era então preciso cobrilos para que as pessoas pudessem vê-los sem se assustarem. Pediu
que seus filhos ficassem na floresta e voltou à cidade. Contou o fato ao povo, e as pessoas fizeram roupas para ele vestir seus filhos.
Deste dia em diante ele poderia ver e mostrar seus filhos a outras pessoas, as belas roupas que eles ganharam escondiam perfeitamente sua condição de mortos.
Alapini e seus filhos fizeram um pacto: em um buraco feito na terra pelo seu pai (ojubô), no mesmo local do primeiro encontro (igbo
igbalé), ali seriam feitas as oferendas e os sacrifícios e guardadas as roupas, para que eles as vestissem quando o pai os chamasse
através do ritual do bastão. Seguindo o pacto e as instruções do babalawo, de que sempre que os filhos morressem fosse realizado o
ritual após o l7º dia, pais e filhos para sempre se encontraram. E, para os filhos que ainda não tiverem roupas, é só pedir às pessoas
que elas as farão com imenso prazer.

 

Egungun,  espírito ancestral de pessoa importante, homenageado no Culto aos Eguns, esse culto é feito em casas separadas das casas dos Orixás.

A relação de Oyá com Egungun…..

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Dentro do Lèsànyìn possui como um dos primeiros assentos fundamentais o de Oya Ìgbàlé, pois é ela que controla o mundo dos mortos, a qual em todas as festas do calendário litúrgico, oferendas e reverências lhe são prestados cujo ápice é o dia de finados no mês de novembro dedicado totalmente a ela, e a todos os seus filhos, os mortos.
Oya Ìgbàlé é no culto aos Égún a única e exclusiva Òrìsà feminina cultuada e venerada pela sociedade dos Égún, composta exclusivamente por homens que contém o segredo em comum da evocação dos Égún, e reverenciada pelos próprios Égún. Inúmeros são os mitos que estabelecem a relação de Oya Ìgbàlé com os Égún. No primeiro deles revela a origem de Égún como filho de Oya vinculando a seu tabu alimentar:

Oiá lamentava-se de não ter filhos. Esta triste situação era conseqüência da ignorância a respeito de suas proibições
alimentares. Embora a carne de cabra lhe fosse recomendada, ela comia a de carneiro. Oiá consultou um babalaô, que lhe revelou o
seu erro, aconselhando-a a fazer oferendas, entre as quais deveria haver um tecido vermelho. Este pano, mais tarde, haveria de servir
para confeccionar as vestimentas dos Égúngún.
Tendo comprido essa obrigação, Oiá tornou-se mãe de nove crianças, o que se exprime em ioruba pela frase: ‘’Iyá Omo mésàn’’,
origem de seu nome Iansã. Assim que a roupa de Égúngún foi criada, formou-se, em torno dessa ‘’novidade’’, uma sociedade
composta exclusivamente de mulheres com o objetivo de enfrentar a preponderância dos homens. Mas elas exageraram e aproveitaramse da confusão provocada pela aparição dos Égúngún, nas ruas da cidade, para enganar impunemente seus maridos. Estes, exasperados, conseguiram descobrir seu segredo, apoderaram-se da sociedade e reservaram-na aos homens, delas excluindo as
mulheres para sempre. (VERGER, 2002, p. 168 a 170)

O segundo o mito também revela a origem de Égún, mas como sendo o nono filho de Oya ressaltando todo o seu poderoso poder genitor:

Oía não podia ter filhos. Procurou o conselho de um babalaô. Ele revelou-lhe que somente teria filhos quando fosse possuída por um
homem com violência. Um dia Xangô a possuiu assim e dessa relação Oiá teve nove filhos. Desses filhos, oito nasceram mudos.
Oiá procurou novamente o babalaô. Ele recomendou que ela fizesse oferendas. Tempo depois nasceu um filho que não era mudo, mas
tinha uma voz estranha, rouca, profunda, cavernosa. Esse filho foi Égúngum, o antepassado que fundou cada família. Foi Égúngum, o
ancestral que fundou cada cidade. Hoje, quando Égúngum volta para dançar entre seus descendentes, usando suas ricas máscaras
e roupas coloridas, somente diante de uma mulher ele se curva. Somente diante de Oiá se curva Égúngum. (PRANDI, 2005, p. 309).

Portanto, este mito revela porque Oya Ìgbàlé é cultuada ao lado dos Égún, pois ela é a /senhora dos nove Òrun, simbolizados pelos nove filhos do mito dos quais os oitos primeiros representam os Àra-òrun, os habitantes do Òrun, e o nono representa os Égún vinculando
também a sua forma de falar característica. Oya Ìgbàlé também é herdeira do principio poder feminino, o segredo da gestação, da criação da vida, pertence à esfera do sangue vermelho, do àsé, que é à base de origem de Égún.

O terceiro mito descreve como Oya Ìgbàlé cria a sociedade dos Égún, e também as origens das roupas, a forma de falar rouca e cavernosa como o do macaco marrom da Nigéria, o Ijimeré (SANTOS, Deoscoredes M, 1981, p.183), de agir e de dominar os Égún, assim como o culto aos Égún e sua sociedade foram tomadas das mulheres pelos homens:

No começo do mundo, a mulher intimidava o homem desse tempo, e o manejava com o dedo mindinho. É por isso que Oya (conhecida
mais comumente nos cultos afro-brasileiros sob o nome de Iyansan) foi a primeira a inventar o segredo ou a maçonaria dos Égúngún
, sob todos os seus aspectos. Assim, quando as mulheres queriam humilhar seus maridos, reuniam-se numa encruzilhada sob a
direção de Iyasa. Ela já estava ali com um macaco que tinha domado, preparado com roupas apropriadas ao pé do tronco de um
igi, árvore, para ele fazer o que fosse determinado por Iyansan por meio de uma vara que ela segurava na mão, conhecida com o nome
de isan.
Depois de cerimônia especial, o macaco aparecia e desempenhava seu papel seguindo as ordens de Iyasan. Isso se dava diante dos
homens que fugiam aterrorizados por causa dessa aparição. Finalmente, um dia, os homens resolveram tomar providências para
acabar com a vergonha de viverem continuamente sob o domínio das mulheres. Decidiram então ir a Òrunmilá (deus do oráculo de
Ifá) a fim de consultar Ifá para saber que poderiam fazer para remediar uma tal situação.
Depois de ter consultado o oráculo, Òrunmilá lhes explicou tudo o que estava acontecendo e que eles deveriam fazer. Em seguida ele
mandou Ogun fazer uma oferenda, ebo, compreendendo galos, uma roupa, uma espada, um chapéu usado, na encruzilhada, ao pé da
referida árvore, antes que as mulheres se reunissem. Dito e feito, Ogun chegou bem cedo a encruzilhada e fez o preceito com os
galos de acordo com o que Òrunmilá ordenou. Em seguida, ele pôs a roupa, o chapéu e pegou a espada em sua mão. Mais tarde,
durante o dia, quando as mulheres chegaram e se reuniram para celebrar os ritos habituais, de repente, viram aparecer uma forma
terrificante. A aparição era tão terrível que a principal das mulheres, isto é, que estava a frente, Iyasan, foi a primeira a fugir. Graças a
força e poder que tinha, ela desapareceu para sempre da face da terra.
Assim, depois desta época, os homens dominaram as mulheres e são senhores absolutos do culto. Proibiram e proíbem sempre as
mulheres penetrar no segredo de toda a sociedade de tipo maçônico. Mas, segundo o provérbio, é a exceção que faz a regra,
os raros exemplos de sociedades secretas as quais eram autorizadas a participar em território Yorubá continuaram a existir
em circunstancias especiais. Isso explica por que Iyasan-Oya é adorada e venerada por todos na qualidade de Rainha e Fundadora
da Sociedade secreta dos Égúngún na terra. (SANTOS, Juana, 1998, p. 122 a 123).

Mas o cargo de detentora e senhora do mundo dos mortos e de todos os seus habitantes foi um presente dado por Obaluaê, filho de Nanã Buruku, e como tal o senhor original do mundo dos mortos, foi dado em sinal de gratidão a Oya pelos seus feitos durante as festas, o sirê dos Òrìsà, como conta os dois mitos seguintes:

Chegando de viagem a aldeia onde nascera, Obaluaê viu que estava acontecendo uma festa coma presença de todos os Orixás.
Obaluaê não podia entrar na festa, devido a sua medonha aparência. Então ficou espreitando pelas fretas do terreiro. Ogum,
ao perceber a angustia do Orixá, cobriu-lhe com uma roupa de palha que ocultava sua cabeça e convidou-o a entrar e aproveitar a alegria
dos festejos. Apesar de envergonhado, Obaluaê entrou, mas ninguém se aproximava dele. Iansã tudo acompanhava com o rabo
do olho. Ela compreendia a triste situação de Omulu e dele se compadecia. Iansã esperou que ele estivesse bem no centro do
barracão. O xirê estava animado. Os Orixás dançavam alegremente com suas equedes. Iansã chegou então bem perto dele e soprou
suas roupas de mariô, levantando as palhas que cobriam suas pestilência. Nesse momento de encanto e ventania, as feridas de
Obaluaê pulavam para o alto, transformadas numa chuva de pipoca, que se espelharam brancas pelo barracão. Obaluaê, o deus das
doenças, transformou-se em um jovem, num jovem belo e encantador. Obaluaê e Iansã Igbalé tornaram-se grandes amigos e
reinaram juntos sobre o mundo dos espíritos, partilhando o poder único de abrir e interromper as demandas dos mortos sobre os
homens. (PRANDI, 2005, p. 206).
Certa vez houve uma festa com todas as divindades presentes. Obaluaê chegou vestido seu capucho de palha. Ninguém o podia
reconhecer sob o disfarce e nenhuma mulher quis dançar com ele. Só Oiá, corajosa, atirou-se na dança com o Senhor da Terra. Tanto
girava Oiá na sua dança que provocava o vento. E o vento de Oiá levantou as palhas e descobriu o corpo de Obaluaê. Para a surpresa
de todos era um belo homem. O povo o aclamou por sua beleza. Obaluaê ficou mais que contente com a festa, ficou grato. E, em
recompensa, dividiu com ela o seu reino. Fez de Oiá a rainha dos espíritos dos mortos, Rainha que é Oiá Igbalé, a condutora dos
Égúns. Oiá então dançou e dançou de alegria. Para mostrar a todos seu poder sobre os mortos, quando ela dança agora, agita no ar o
inruquerê, o espanta-mosca com que afasta os Égúns para o outro mundo. Rainha Oiá Igbalé, a condutora dos espíritos. Rainha que foi
sempre a grande paixão de Omulu. (PRANDI, 2005, p. 308).
No Lèsànyìn encontram-se os dois elementos litúrgicos essenciais do culto: assentos individuais e específicos de cada Égún Àgbà, os Égún mais antigos, devidamente preparados para serem invocados individualmente, pois foram realizados e compridos todos
os rituais de preparação para a sua invocação antes da morte do Ojé Àgbá e durante os sete anos após o falecimento deles, que será o novo Égún a ser cultuado; e o assento que é a representação coletiva dos ancestrais, de todos os mortos, os òku-òrun, o chamado Òpá-
Kòko. Os assentos individuais dos Égún Àgbá do Lèsànyìn são assim descritos:

Os assentos individuais dos Égún são continentes de barro com larga boca que contém uma mistura de barro e àse, de folhas e
outros elementos, especifica para cada Égún que enche totalmente o interior, transbordando do recipiente, formando um montículo
incrustados de cauris. Esses ‘’assentos’’ individuais estão dispostos sobre um banco feito de terra, baixo e estreito, chamado pepele.
(SANTOS, Juana, 1998, p. 203).

No Brasil  o  principal  culto à Egungun é praticado na Ilha de Itaparica  no estado da Bahia  mas existem casas em outros estados brasileiros.

Normalmente chamado de Babá (pai) Egun, Babá-Egun. Também pode ser referido como Êssa nome dos ancestrais fundadores do Aramefá de Oxossi  (conselho de Oxóssi, composto de seis pessoas). Ou Esa espírito dos adoxu e dignitários do egbe (casa).

Os nagôs, cultuam os espíritos dos mais velhos de diversas formas, de acordo com a hierarquia  que tiveram dentro da comunidade e com a sua atuação em pról da preservação e da transmissão dos valores culturais. E só os espíritos especialmente preparados para serem invocados e materializados  é que recebem o nome EgunEgungunBabá Egun ou simplesmente Babá (pai), sendo objeto desse culto todo especial.

Porque o objetivo principal do Culto dos Egun é tornar visível os espíritos dos ancetrais, agindo como uma ponte, um veículo, um elo entre os vivos e seus antepassados. E ao mesmo tempo que mantém a continuidade entre a vida e a morte, o culto mantém estrito controle das relações entre os vivos e mortos, estabelecendo uma distinção bem clara entre os dois mundos: o dos vivos e o dos mortos (os dois níveis da existência).

BABA-EGUN

Assim, os Babá trazem para seus descendentes e fiéis suas bênçãos e seus conselhos mas não podem ser tocados, e ficam sempre isolados dos vivos. Suas presença é rigorosamente controlada pelos Ojé  (sacerdotes do culto) e ninguém pode se aproximar deles.

Os Egungun se materializam, aparecendo para os descendentes e fiéis de uma forma espetacular, em meio a grandes cerimônias e festas, com vestes muito ricas e coloridas, com símbolos característicos que permitem estabelecer sua hierarquia.

Os Babá Egun ou Egun Agbá (os ancestrais mais antigos) se destacam por estar cobertos com uma roupa específica do Egun — chamada de eku na Nigéria ou opá na Bahia,  são enfeitadas com búzios, espelhos e contas e por um conjunto de tiras de pano bordadas e enfeitadas que é chamado Abalá, além de uma espécie de avental chamado Bantê, e por emitirem uma voz característica, gutural ou muito fina.

Os Aparaká são Egun mais jovens: não têm Abalá nem Bantê e nem uma forma definida; e são ainda mudos e sem identidade revelada, pois ainda não se sabe quem foram em vida.

Acredita-se, então, que sob as tiras de pano encontra-se um ancestral conhecido ou, se ele não é reconhecível, qualquer coisa associada à morte. Neste último caso, o Egungun representa ancestrais coletivos que simbolizam conceitos morais e são os mais respeitados e temidos entre todos os Egungun, guardiães que são da ética e da disciplina moral do grupo.

 

  Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Egungun e http://www.palmares.gov.br/

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